quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Caprinocultura no Brasil: algumas estatísticas e evidências

 

A influência do setor agropecuário na economia brasileira é inquestionável. Levando-se em consideração as séries estatísticas históricas, observa-se que o setor primário tem respondido por volta de 10% de toda a riqueza gerada no Brasil. Quando se computam todos os setores que são impactados, ou seja, quando são consideradas todas as transações que ocorrem ao longo das cadeias produtivas, no que se costuma chamar de agronegócio, historicamente observa-se que em torno de 30% do que é produzido no Brasil tem origem, de alguma forma, na agropecuária.

Segundo dados do Censo Agropecuário Brasileiro de 2006, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil, cerca de 32 milhões de pessoas moram na zona rural, sendo que 47% da população rural brasileira vivem na região Nordeste. Ou seja, cerca de 15 milhões de pessoas vivem na zona rural do semiárido nordestino. A segunda região com maior população rural é a região Sudeste que abriga 6 milhões de pessoas nos seus diversos recantos. É sabido que a renda de um estabelecimento rural no Nordeste gera a metade da renda bruta de um estabelecimento do Sudeste, reforçando a desigualdade e assimetria social e econômica do Brasil.

Diante do cenário de desigualdade e de falta de oportunidade que caracterizam o Brasil, em especial o meio rural, urge a necessidade de se encontrar alternativas viáveis de geração de emprego e renda para as diversas regiões do país. A caprinocultura apresenta-se como uma dessas alternativas que pode ser utilizada para mudar o cenário de pobreza que tem caracterizado a zona rural do Brasil ao longo da história.

A caprinocultura é uma atividade que pode ser explorada em qualquer um dos 5.554 municípios brasileiros. Segundo o Censo Agropecuário de 2006, existem 7.109.052 cabeças de caprinos no Brasil que estão espalhadas por todas as 508 microrregiões brasileiras. Existem 286.553 estabelecimentos que criam caprinos no Brasil, resultando em um número médio de 25 animais por estabelecimento. De outro lado, os 18.008 estabelecimentos que produzem leite de cabra prospectaram em 2006, cerca de 21.275.000 litros de leite, indicando que cada estabelecimento produz 1.181,41 litros por ano. Transformando em produção diária, observa-se que cada propriedade produz, em média, cerca de 3,24 litros de leite de cabra por dia.

Isto posto, pode-se concluir que a caprinocultura é uma atividade predominantemente de pequenos e médios produtores e que pode ser estimulada em todos os municípios brasileiros, do Oiapoque ao Chuí. Logicamente, levando-se em consideração as aptidões naturais inerentes a cada região. Portanto, a criação de caprinos apresenta-se como uma alternativa viável de geração de emprego e renda e como uma ferramenta eficiente para diminuir a concentração de renda no Brasil, em especial no meio rural. Para tal, faz-se necessário que os tomadores de decisões políticas vislumbrem e acreditem nas oportunidades proporcionadas pela atividade.

17/01/2011

Fonte:Embrapa Caprinos e Ovinos

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Caprinos do Nordeste: uma visão realista

 

Os primeiros animais domésticos chegaram ao Brasil na época da colonização. Os animais trazidos da Europa não tinham especificação de raça, conceito desconhecido naquela época. Segundo historiadores, tratava-se de animais de pequena estatura e rústicos, para comerem pouco e sobreviverem durante o trajeto marítimo até a América.


Durante anos convivendo com as condições adversas do sertão nordestino, estes animais que aqui se estabeleceram adquiriram características de adaptação e resistência ao calor, essenciais para a sobrevivência. Assim sendo, tais animais formaram diversos grupos com características próprias, isolados geograficamente em seu habitat, dando origem aos ecotipos nordestinos. O desenvolvimento destas raças locais deu-se mais através do isolamento genético e da seleção natural do que pela intervenção do homem.


Desses animais, cinco ecotipos são citados: Moxotó, Marota, Canindé, Gurguéia e Repartida. Dentre esses grupos, talvez o mais tradicional seja a raça Moxotó, originária de Pernambuco, homologada em livro de registro como raça desde 1977. Segundo dados da literatura, são os tipos Repartida e Marota que se encontram em estado mais crítico de preservação. As características principais inerentes aos tipos naturalizados de caprinos são a rusticidade, a prolificidade e a alta qualidade do couro.
Nos últimos cinqüenta anos, o processo de modernização da atividade agropecuária foi fomentado por agencias de desenvolvimento regional que, utilizando enfoques reducionistas da realidade rural, apoiaram vários projetos oficiais visando incentivar de forma sistemática a importação de animais e material genético. Tais aplicações de recursos públicos aceleraram a erosão da biodiversidade caprina do Nordeste brasileiro.


Pesquisa
Pecuaristas que valorizaram a criação tradicional conservaram para o futuro animais ditos naturalizados, termo usado considerado que são descendentes dos tipos trazidos ao País na época da colonização. No mundo científico, grupos liderados pela FAO iniciaram o processo de monitoramento da biodiversidade agropecuária ao constatarem o avanão no processo de erosão genética.


A razão para esse esforço de conservação na Europa é manter a flexibilidade para atender a mudanças de demanda do mercado e do sistema produtivo. No Brasil, a Embrapa Recursos genéticos e Biotecnologia (Brasília - DF) lanãou o que hoje se denomina Rede Nacional de Recursos genéticos (RENARGEN), abraçando e gerenciando vários projetos preexistentes nas Unidades descentralizadas da Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).


A Embrapa Meio Norte (Teresina - PI) iniciou o primeiro núcleo de conservação do Piauí em 1980, no município de Castelo do Piauí. Nessa base física a Unidade mantém 200 representantes de caprinos Marota, que podem representar o último grande rebanho desae ecotipo do Brasil. Em 2005, mais um núcleo foi incorporado ao patrimônio da Embrapa Meio-Norte. O rebanho Cabra Azul com 48 animais adultos constituíram o núcleo de conservação da Cabra Azul, ecotipo também fortemente ameaçado.


A reserva estratégica de tal patrimônio, repositório de genes inerentes a rusticidade e adaptação, pode garantir a sobrevivência da atividade para os pequenos agricultores familiares. A avaliação do genoma de animais autóctones, pela sua caracterização molecular, fornecerá informação necessária a programas de melhoramento genético no futuro, com grande utilidade para o pequeno e médio produtor rural da região, fornecendo-lhe carne, leite e pele sem a necessidade de grandes investimentos.
Sendo assim, a Embrapa Meio Norte consolida-se como uma importante instituição de pesquisa na conservação de recursos genéticos, principalmente, para a pecuária sustentável do semi-árido.


Atualidades
Hoje, com uma visão mais sistêmica do meio rural do Nordeste, vislumbra-se prejuízos ecológicos e sociais da perda da diversidade de recursos genéticos. Os sistemas de produção tradicionais, ecológicos e no âmbito da agricultura familiar são grandes beneficiários dos recursos genéticos autóctone, agregando valor social e ambiental aos produtos originários dos caprinos naturalizados. A possibilidade de agregar valor ao caprino através de certificações de origem acenam com umfuturo promissor para os ecotipos caprinos do Nordeste.


Curiosamente, observa-se um fluxo contínuo desse patrimônio genético para os rebanhos particulares. Os criadores do Nordeste começam a se mobilizar em associações de raças naturalizadas e algumas feiras e exposições desses animais começam a aparecer no cenário do agronegócio.


O preço de mercado de bons animais naturalizados chega a ser competitivos com o das raças importadas já estabelecidos, como a Anglo-nubiana. Tal mudança pode ser favorável para retirar o recursos genético do perigo de extinção, pois a preservação privatizada “on farm” é uma estratégia de conservação muito eficiente e auto-sustentável.


Entretanto, o sistema de produção tradicional, quase absoluto em algumas áreas com restrições severas de acesso à água e alimentação, embora atingido pela onda de cruzamentos apregoadas por agentes de desenvolvimento, está longe de não depender de recursos genéticos autóctones.


Ao contrário, começa a haver uma deterioração completa de sistemas de produção até então recomendáveis, porém insustentáveis na sua aplicação. Assim, as pesquisas na área de melhoramento genético precisam avançar rapidamente para contornar essa falsa teoria de que a incorporação maciça de recursos genéticos gerariam sistemas produtivos eficientes para o semi-árido.


Estudos avaliando a eficiência (inclusive econômica) dos sistemas de produção sustentáveis, com recursos autóctones melhorados para o semi-árido, devem ser estimulados, como forma de garantir a sustentabilidade da produção e a conservação dos caprinos autóctones para todos.

 

Fonte: Embrapa (05/12/2005)

Autora: Adriana Mello de Araújo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

VEM AÍ A FEINCO 2011

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VEM AÍ A FEINCO 2011 - O MAIOR ACONTECIMENTO DA OVINO-CAPRINOCULTURA DA AMÉRICA LATINA

De 21 a 25 de março, o Centro de Exposições Imigrantes, na capital paulista, recebe a Feinco 2011 – 8ª Feira Internacional de Caprinos e Ovinos. Maior feira indoor do setor especializada em Ovinos e Caprinos da América Latina, a Feinco é ponto de encontro de criadores de várias regiões do País e também atrai a presença de visitantes estrangeiros. “Referência no setor, a Feinco é uma feira consolidada”, afirma Décio Ribeiro dos Santos, diretor do Agrocentro, empresa promotora da exposição.
Em um espaço de 50 mil metros quadrados, serão expostos mais de 4.000 animais de 20 raças diferentes, dentre estas, Santa Inês, Ile de France, Suffolk, Merino Australiano, Bergamácia, Romney Marsh, Border Leicester, Lacaune, Karakul, Texel, Dorper, Poll Dorset, Hampshire Down, Crioula, Boer, Saanen, Alpina, Anglo Nubiana, Toggenburg, entre outras.


O Agrocentro espera receber mais de 30 mil visitantes, entre criadores, empresários, técnicos, zootecnistas, veterinários, estudantes e outros profissionais interessados pela caprinoovinocultura. Estão previstos mais de 100 eventos paralelos que têm como ponto alto o Congresso Internacional, com participação de renomados especialistas brasileiros e internacionais.


Este ano, com uma movimentação de mais de R$ 10 milhões nos leilões, o evento apresentou um crescimento expressivo com relação a 2009. Estes números comprovam a vocação brasileira para a criação de ovinos e caprinos e consolida São Paulo como grande pólo de geração de negócios no setor.


Além de 250 criadores, mais de 180 empresas, vão expor produtos e serviço. Já confirmaram presença empresas de nutrição animal; genética; produtos veterinários; adubos e fertilizantes; sementes; defensivos agrícolas; máquinas e equipamentos; implementos agrícolas; frigoríficos; órgãos de pesquisa e desenvolvimento; insumos para agropecuária; balanças, cochos e troncos; veículos utilitários; bancos, seguradoras e universidades; e informática e internet.


Além da Feinco, o Agrocentro promove a Feicorte – voltada para a cadeia de corte, e a Feileite – com foco na cadeia produtiva do leite.


Contato Feinco
Agrocentro
www.feinco.com.br
feinco@agrocentro.com.br
Tel. (11) 5067-6770
Imprensa
Beth Mélo – beth@publique.com
André Luiz Casagrande - andre@publique.com
Grupo Publique
Tel. (11) 3063-1899
Alameda Itu, 1063, 2º andar - Cerqueira Cesar, São Paulo, SP - CEP 01421-001

11/01/2011 - www.feinco.com.br

DEFINIDA A DATA DA NACIONAL 2011

 

Mais uma vez teremos uma Nacional Dupla - ANGLO NUBIANO E SANTA INÊS

O LOCAL: CENTRO DE EVENTOS DE FORTALEZA (NOVO)
DATA: 13/11/2011 A 20/11/2011
DATA BASE : 13/11/2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

I Copa Ranqueada Estrelas do Ceará

 

CARTAZ PARA DIVULGAÇÃO NA WEB

1a Etapa – 04 a 08/05/11 – EXPOINVERNO – Fortaleza/CE

2a Etapa – 25/06 a 03/07/11 – EXPONORTE – Sobral/CE

3a Etapa – 10 a 17/07/11 – EXPOCRATO – Crato/CE

4a Etapa – 10 a 14/08/11 – EXPOCECE – Quixadá/CE

5a Etapa – 11 a 18/09/11 – EXPOECE – Fortaleza/CE

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Hobby ou Negócio?

 

GERENCIAMENTO DE UMA FAZENDA DE SELEÇÃO:

UM HOBBY OU UM NEGÓCIO ?

O sucesso de um empreendimento com animais requer prática tanto de normas de gerenciamento de negócios, como conhecimentos da “Indústria Rural”.  O administrador da fazendas precisa conhecer o animal (sua idiossincrasias e problemas), assim como detalhes de contabilidade.  Do mesmo modo que em outras atividades agrícolas, um apropriado e agressivo gerenciamento significa alcançar um bem sucedido e recompensador investimento, contrastando com o desastre financeiro.

Muitos criadores vêm provando suas habilidades em outros campos de negócios, logo esta análise não tenciona ensinar-lhes o gerenciamento clássico.  Porém, nem sempre os critérios de administração clássica utilizados em suas outras atividades podem ser aplicados quando são tranferidos para a criação de animais de seleção. Obviamente, muitos têm apreço pelos animais e, freqüentemente, transcendem a lógica dos negócios.

O administrador de uma fazenda de criação deve ser capaz de:

1. Compreender o desenrolar de toda operação, seus pontos fortes e fracos, destacando capacidades e responsabilidades.
2. Designar seus planos de ação para curto e longo prazo (aplicar um método sensivel de alcance de metas, determinado por suas propriedades).
3. Implementar este plano (trazendo o delineamento global para o dia-a-dia da fazenda), além de delegar tarefas, autoridades e responsabilidades.
4. Enumerar prioridades, atacando os objetivos da fazenda: produção de reprodutores (as), venda de coberturas e transferência de embriões, alojamento para animais de outros proprietários, comercialização constante, ...
5. Avaliar os resultados obtidos, através de métodos rotineiros para medir sucesso ou fracasso na obtenção de suas metas (por exemplo: ganho financeiro, apresentação de seus animais em exposições, afluxo de visitantes em sua fazenda, ...).
6. Modelar os planos de curto e longo prazo tornando-se flexíveis ante circunstâncias adversas.

Um administrador, assim caracterizado, deve ainda possuir uma atitude positiva para o sucesso.  Nos meios rural isto pode se definir como:

a) Conhecimento da criação
b) Adaptabilidade à mudança

De um modo geral existem diversas áreas de trabalho na criação de animais atualmente.  Alguns destes tópicos mais importantes são:

1. Gerenciamente financeiro
2. Estado sanitário do rebanho
3. Alimentação
4. Trabalho
5. Estruturas e Instalações
6. Marketing
8. Comercialização

Cada uma destas sete áreas está interrelacionada com as outras. Uma descrição pormenorizada delas nos fornece a devida importância individual no fechamento do plano global da criação de animais.

1. Gerenciamento Financeiro.

Considerar a criação como um negócio, requer uma avaliação objetiva dos recursos disponíveis e do potencial de retorno.

Se o criador trabalha com um orçamento limitado, não deve esperar realisticamente produzir reprodutores campeões nacionais em exposições das raças.  Se o plantel de matrizes é de qualidade mediana, não faz sentido adquirir o mais valioso dos reprodutores para produzir filhotes de elevada estirpe. Um melhor uso de seu capital poderia indicar a substituição gradual no rebanho de fêmeas, utilizando bons reprodutores (não necessariamente os de maior valor) para alcançar resultados consistentes a longo prazo.

O planejamento a longo prazo deve se iniciar na fase de construção da fazenda, caminhando até as primeiras mudanças no meio criatório da raça, quando será então novamente direcionado.

O gerenciamento financeiro requer um plano lógico de rendas e despesas, incluindo-se aí uma análise do fluxo de caixa da propriedade.

Os custos estão presentes em todas as áreas da criação: reprodução, alimentação, treinamento, etc.  Portanto, verifique se o seu plano de criação é factível, se o fluxo se caixa está bem dimensionado e se você pratica rigorosamente uma verificação nos custos do empreendimento.  Finalmente, avalie periodicamente seus Lucros e Perdas, a fim de determinar as fases do plano que podem ser estendidas, reduzidas ou até eliminadas.

2. Estado sanitário do rebanho

Um adequado gerenciamento da saúde de seus animais é muito mais do que uma ocasional visita do médico-veterinário ou um simples kit de primeiros socorros junto às cocheiras.  Uma ação positiva inclui nutrição apropriada, regime da medicina preventiva regular, cuidados na reprodução, chamadas de emergência e manutenção do bem estar/segurança dos animais.

Tenha certeza que sua criação está livre de objetos perigosos: maquinário agrícola decadente, cercas deficientes, farpas portiagudas nos estábulos, plantas venenosas nos pastos; mantendo sempre as cocheiras, piquetes e pastos limpos e em bom estado.  Caminhões e trailers de transporte também devem ser verificados.

A medicina veterinária preventiva é dificil de se apreciar e muito frequentemente impossível para um profissional exercê-la.  Por não “curar” uma doença ou problema existente, a prevenção dos animais pelo veterinário não oferece, de imediato, o impacto que o criador espera na visita à sua fazenda.

São inúmeras as ocasiões em que o fazendeiro imagina-se economizando despesas com um profissional, por seus animais não apresentarem exteriormente qualquer problema rigoroso.  Contudo, quando este aparece, seja por doença contagiosa ou outro, a chamada emergencial do cuidado veterinário pode arrasar “economias” de vários anos de má administração.  Resumidamente, medicina veterinária preventiva deve incluir vermifugação, vacinação e inoculação periódica, bem como testes e avaliações constantes.  O veterinário deve trabalhar ao lado do administrador planejando um programa de saúde e recomendando o mais indicado para cada situação no criatório.

Falando de vermifugação, é válido lembrar que sem o tratamento rotineiro com produtos específicos, este prezuízo pode ser irreversível.  Falta de vitalidade e baixa utilização da capacidade alimentar são também influências de um inadequado programa de vermifugação.


Um programa rigoroso de gerenciamento reprodutivo vem sendo instituído em inúmeras propriedades.  Tanto o custo de manutenção do plantel de fêmeas, como dos serviços do reprodutor, vêm crescendo a cada ano, tornando imperativo um efeciente sisteme de monta.  Três modalidades podem ser empregadas:

a) Monta a Campo (utilizada em criações extensivas);
b) Monta Dirigida (reconhecida oficialmente pelas Associações de Registro);

c) Inseminação Artificial (já implementada em reduzido número de propriedades).

Todas oferecem certas vantagens e desvantagens. Independente do sistema utilizado, seu programa de cruzamento deve estabelecer um índice de parições compatível com seu empreendimento, e dar ênfase especial à higiene e segurança dos reprodutores (as).

A assistência veterinária, em caso de emergência, pode se tornar o ponto mais alto, por animal, em seu plano orçamentário.  Estes custos se reduzem drasticamente se o programa de sanidade e medicina preventiva for estritamente seguido, mas, devido à natureza do animal, nunca serão eliminados.  Antes de identificar problemas em seus animais, o criador deve conhecer as características de um bom estado de saúde dos animais. Um simples estojo de primeiros socorros deve ser a peça fundamental em qualquer estágio e inclui algodão, bandagens aderentes, gaze, desinfetante-bactericida, spray cura-bicheiras e cicatrizante tópico.

A prática da visita periódica do veterinário é importante, pois torna familiar o quadro clínico de seus animais, evitando repetitivos testes, enquanto cresce a atenção individualizada, com menor custo por cabeça.

A escrituração, por fichas ou livro de estábulo, é peça importante para a melhor assistência veterinária; e no fundo, certamente teremos a introdução de micro-computadors no trabalho diário da fazenda.


3. Alimentação

Historicamente admite-se que a alimentação de caprinos não é propriamente uma questão científica, visto que diversos povos têm possuído rebanhos que sobrevivem às mais diferentes condições de habitat.  A alimentação pode ser considerada mais uma “ARTE” do que uma ciência.  Hoje, criadores tradicionais aplicam a seus animais fórmulas que herdaram de seus antepassados, e que são disseminadas por seus seguidores, ao visitarem os berços de criação das linhagens predominantes.  Desde o início da Revolução Industrial até agora, pouca ênfase ou capital foi dirigida para este ramo de pesquisa.


É importante que os administradores de fazenda tenham conhecimento sobre a fisiologia do aparelho digestivo dos animais, a fim de permitir-lhes indicar a melhor dieta. 

Criadores, desordenadamente, preocupam-se com proteínas na alimentação de seus animais.  De grande valor nutricional, não são contudo, o único fator decisivo para a formulação da ração.  Animias em crescimento requerem alta carga proteica, enquanto animais já maduros, em estado não reprodutivo, pouco exigem.  Não só a quantidade, mas principalmente a qualidade proteica deve ser analisada.  Como se sabe, proteínas são formadas por aminoácidos, alguns dos quais são sintetizados pelo corpo animal e outros não.  Os que não são sintetizados pelo corpo animal são ditos essenciais e devem ser suplementados pela ração.  Alguns criadores costumam suplementar seus animais com idade já avançada empregando rações que alcançam 16-18% de proteína, oriunda da soja ou cereais.  Caso utilizassem carbohidratos ou gorduras em maior escala, teriam uma ração bem mais econômica e sem dispêndios energéticos.

Carbohidratos são a fonte primária de energia.  Grãos contêm alto nível de carbohidratos expressos em “Nutrientes Digestíveis Totais” ou valor energético de NDT.  A necessidade em NDT é o ponto de partida para a formulação de rações.  É recente o consenso que podemos utilizar gorduras para alcançarmos bons níveis de energia.  No entanto, a pesquisa comtinua nesta área para se determinar os níveis ótimos de fornecimento de alguns produtos: milho, farelinho de trigo, farelo de soja, aveia, melaço, e outros.

Vitaminas e Minerais são obviamente necessários para permitir um amplo desenvolvimento. Algumas vitaminas são metabolizadas pelo animal e outras fornecidas na ração (A,D e E).  Vitamina D (que permite a melhor absorção de Cálcio e Fósforo) é facilmente obtida no pastejo, bom feno e exposição à luz solar; no entanto, animais confinados podem sofrer deficiência em vitamina D, que deverá ser adicionada no concentrado.  Os sais minerais devem ser encarados como mais um ítem no balanceamento da ração, não se esquecendo, da usual consideração sobre a proporção Cálcio/Fósforo (min.: 1,1-1,0) e incluindo os outros minerais necessários.  Toda distribuição de sal deve ser à vontade para os animais.

Criadores parecem que se fascinam quando discutem sobre suplementação vitamínica/mineral.  Algumas aplicações, principalmente em animais velhos ou com problemas específicos, fazem sentido.  O uso indiscriminado de medicamentos em animais com dietas balanceadas não leva à nada, exceto incremento de despesas ou níveis de toxidade nos tecidos fisiológicos.

Quando consideramos um programa racional de alimentação, avaliamos que o animal deva ser nutrido como um indivíduo.  A obesidade é freqüentemente um problema maior que a subnutrição.  Sumarizando, um programa de sucesso deve incluir:

a) Ração balanceada: pasto, feno, grãos a serem usados, de acordo com o crescimento, atividade, e necessidades reprodutivas dos animais, já adequados ao espaço ótimo da criação.
b) Água: limpa, fresca, à vontade, exceto quando o cavalo está com alta temperatura.
c) Sal Mineral: adequado, à vontade.
d) Programa de Saúde Preventiva: manutenção e seriedade no atendimento veterinário.

Considerações gerais de gerenciamento incluem planejamento para:

a) Programa de Alimentação: com freqüencia diária delimitada.
b) Observação: deve-se saber que alimentos são saudáveis para os caprinos, antes que se detecte qualquer problema ou mudança no hábito alimentar.
c)Medicina Preventiva: familiarizar o veterinário com todos os animais.
d) Controle Parasitário: cólicas e distúrbios digestivos são influenciados por parasitos internos, devendo o veterinário estabelecer programa periódico de vermifugações, alternando-se os produtos utilizados.
e) Controle de peso apropriado.
f) Estabelecer sistema de armazenamento eficiente de rações e suplementos.
g) Utilizar um gerenciamento de custos eficientes que seja compatível com as condições econômicas da propriedade.


4.Trabalho na Fazenda

Devido ao fato de os encararmos como indivíduos, de manejos e atenções próprias, os animais requerem trabalho intensivo.  Este é um dos fatores que encarecem esta atividade, pois o número de homens/hora empregados é crescente.


Podemos citar como atividades a serem preenchidas as seguintes:

a) Limpeza do capril

b) Rasqueamento e corte de pelos dos animais

d) Manejo de filhotes

e) Corte de forrageiras/alimentação


f) Coleta e distribuição de esterco


g) Administração geral, ...

Muitas fazendas investem em suas folhas de pagamento oferecendo casas boas e mobiliadas para empregados, que ao se sentirem mais seguros e confiantes em suas ocupações, retribuem em lealdade e eficiência.  Uma vantagem adicional deste sistema é que mantêm sempre uma quantidade extra de pessoal na propriedade, em casa de alguma emergência.  Além disso, é imperativo fazer com que os empregados se tornem parte integrante de toda a operação, repartindo entre eles os sucessos da criação.


5. Estruturas e Instalações

Se a fazenda pode se comparar a outros ramos de atividades industriais, temos que identificar os seguintes itens do processo:

a) Produção: potencial do rebanho, reprodução e treinamento.
b) Produto: filhotes, reprodutores, reprodutoras, ...
c) Comercialização: promoção, vendas e marketing.
d) Força de trabalho: empregados e administração.
e) Planta física: as terras da fazenda, o aprisco,e outras benfeitorias.

O administrador da propriedade tem sob sua responsabilidade o aprisco, feno, capineiras e produção de grãos, treinamento de animais, armazenamento de rações; devendo se ocupar, literalmente, de gerenciar todas as etapas da criação.


Todas as facilidades devem ser planejadas para o tripé:

SEGURANÇA    CUSTO    EFICIÊNCIA

O máximo de otimização das atuais estruturas deve ser alcançado antes de se adicionar novas etapas à produção.


6. Marketing

Um programa de marketing para alcançar resultados satisfatórios não deve apenas começar quando seus animais são ainda filhotes e já é tempo para comercializá-los.  As metas devem ser estabelecidas antes que se compre a primeira matriz.  Deve-se escolher primeiramente o que se vai produzir: raça, tipo, idade, nível de qualidade.  Depois, estabelecer planos de ação para médio e longo prazo, introduzindo metas ao correr dos anos.

Um bom plano de marketing para vendas requer investimento de tempo, trabalho e dinheiro, e pode-se expressar em:

a) Propaganda em revistas e jornais especializados.
b) Participação em mostras e exposições agropecuárias.
c) Comercialização através de leilões e feiras.
d) Promoção de sindicatos de reprodutores afamados.
e) Distribuição de malas diretas à classe criadora, veiculando os resultados de sua propriedade.

7. Comercialização

Os métodos e habilidades de comercialização têm efeito direto sobre o sucesso ou fracasso financeiro da criação.  A escolha sobre o que deve, ou não, ser posto à venda recai basicamente sobre o dono ou seu administrador, que no dia a dia, vão avaliando quais os animais que trazem melhor produção e se separam o descarte para venda.

Para aqueles que se iniciam no criatório, fica o conselho de buscar o apoio em fazendeiros experimentados ou técnicos capazes de auxiliar numa boa aquisição para o plantel.  Não se deve também basear sua escolha de animais somente em certificados de registro ou pedigrees, pois nem sempre o melhor animal é aquele que apresenta filiação superior.

Outro ponto de discussão é a adequação de animais aos rebanhos constituídos. Não é viável adquirir-se reprodutores recordistas de preços nas raças, para colocá-los a enxertar matrizes livro-aberto, sem origem definida.

Determine seu plano de compras/vendas e procure segui-lo racionalmente.  Não faça compras emotivas, pois animais que pode lhe impressionar vivamente hoje, poderá não ser tão bom amanhã.

Conclusão:

Cada um dos tópicos abordados neste artigo: gerenciamento financeiro, estado sanitário do rebanho, alimentação, trabalho na fazenda, marketing e comercialização, devem ser encarados como parte de um todo.  Não se deve excluir ou concentrar tópicos, visto que a saúde funcional e financeira da criação depende de todos os ítens da operação.

Hobby ou negócio? São opções que o fazendeiro terá de escolher antes de se iniciar no mundo da criação.

Não se pode conviver com ambos!

Texto adaptado. Fonte: Crônicas da Raça Mangalarga Marchador, Ricardo L. Casiuch

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A SÍNDROME DA LETRA J

 

Nos últimos cinco anos tendo acompanhado inúmeros julgamento nas mais diversas exposições do Brasil.  Em alguns, por obra e graça do destino, cumpro a função de secretariar os juízes.

No início tínhamos o juiz único, absoluto, figura que centralizava as atenções.  Hoje vivemos a época das comissões, que variando de 3 a 6 magistrados, ordenam as diretrizes das raças no seu ponto mais sensível ou seja, as pistas de julgamento.

Não vou aqui analisar juízes, pois para tanto não me atrevo.  Gosto sim, e com grande dose de humor, de verificar o comportamento de criadores e expositores.

Quando adentrava no Parque de Exposições o tal juiz único, já vinha cercado por uma tropa de criadores amigos.  Quem não fizesse parte deste grupinho, iniciava seu processo de julgamento pessoal:

-“ Lá vai o amigo deles.  Desta farinha eu já provei.  Trouxe meus animais aqui só para prestigiar a Associação e já sei o resultado!”                                  (Barra do Pirahy – RJ – Junho de 82)

Algumas vezes a exaltação era tanta, que o criador se retirava do Parque, levando consigo seus animais até antes de serem julgados e ia para a fazenda curtir uma tremenda ressaca técnica.

Infelizmente deste processo alguns não escaparam e nunca mais sequer pisaram num Parque de Exposições. Com as comissões formadas, já ficaria um pouco mais difícil tecer comentários sobre um grupo de juízes.  Mas não se fizeram de rogado!

- “Neste comissão um manda, é o lider.  Os outros apenas acompanham.”

- “Comissão de três é como estouro de boiada: cada um vai pro seu lado, e o resultado sai no laço”.
(Cordeiro – RJ – Julho de 83)

Mas quem é o nosso amigo criador?  Qual o seu perfil?  Há quantos anos está no ramo, perguntaria meu vizinho?

É fácil a resposta, prezado companheiro.  É a Síndrome da Letra J.

Quando nosso amigo e jovem criador, leva pela primeira vez seus animais para uma Mostra, ele inicia com animais de sua criação na letra A.  São seus primeiros passos na difícil arte de se manejar animais, e ele já os imagina cobertos de lauréis.

Na verdade, o que ele está sofrendo agora é algo que levara dez anos aproximadamente para o posicionar junto a outros criadores mais antigos.  Até chegar à letra J, verá muita água passar na beira de seu regato e muitas considerações técnicas chocarem-se em seus ouvidos, sem aquela compreensão que marca o entendimento dos mais veteranos.

Mas não pense, prezado leitor, que ele se deixará abater.  Quanto maior seu grau de incompreensão perante os julgamentos realizados, maior sua explosão de raiva sobre os juízes na Pista.

É a tal Síndroma da Letra J.  São dez anos de provação que o jovem criador passa até estar totalmente curado desta enfermidade que, mesmo não sendo transmissível por qualquer vetor, costuma ser adquirida por osmose entre “grandes amigos” criadores.

Nem todos a sofrem, e muitos já na letra B (segundo ano de criação) costumam superar seus efeitos colaterais.  Entendem que o juiz presente a uma Exposição não busca auxiliar ou prejudicar qualquer proprietário, mas sim colocar os animais em ordem preferencial segundo um padrão racial estabelecido pelas próprias Associações de Criadores.

Estas são histórias vividas dentro das pistas de julgamento e o folcore é muito vasto, merecendo outros relatos. Costumava ouvir de um velho criador, em Caxambu(MG), que todos nós temos telhado de vidro. 
  
Portanto, se você nunca foi atacado pela Síndrome da Letra J, não se preocupe pois, afinal, o alfabeto não termina aí.

Texto adaptado. Fonte: Crônicas da Raça Mangalarga Marchador, Ricardo L. Casiuch