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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Efeito da Suplementação Energética sobre o Desempenho e Economicidade da Terminação de Cabritos a Pasto

 

Introdução
Os rebanhos de caprinos no Nordeste, em sua grande maioria, destinam-se ao autoconsumo e mercado local. Paralela a essa realidade há um mercado crescente de carne caprina por essa apresentar teores de gordura, proteína, ferro e calorias, semelhante a carne de frango (Leite, 2004) que é considerada uma das mais saudáveis. O mercado tem sinalizado para o consumo de carne de animais jovens abatidos com até seis meses de idade. No entanto, nas condições de produção praticadas no Nordeste, o que se observa é o abate de animais velhos e com baixa qualidade e rendimento de carcaça. Diante desse cenário, a criação de caprinos de corte para comercialização do produto surge como alternativa para a geração de renda em comunidades rurais no Nordeste do Brasil.


Um dos grandes limitantes para a produção animal nessa região é a estacionalidade produtiva, causada pela falta de forragem no pasto nativo por um período que pode ser superior a oito meses. O uso de pastos cultivados tem possibilitado a terminação de até quatro lotes por ano, com lotações de até 60 ovinos/ha e ganhos de até 280g/cab dia em ovinos (Silva et al., 2004). Com caprinos, os ganhos em geral são mais modestos. No entanto, o uso de
suplementação associado ao uso de animais geneticamente superiores, pode melhorar esses índices. O objetivo principal deste trabalho foi determinar o efeito da suplementação sobre o desempenho de cabritos ½ Bôer:SRD e a eficiência econômica dessa tecnologia sobre a terminação de cabritos a pasto.

Material e Métodos
O experimento foi conduzido na fazenda Santa Rita, campo experimental da Embrapa Caprinos localizado na cidade de Sobral no Ceará, no final da estação seca de 2004 e inicio da estação chuvosa de 2005. Foi usada a lotação rotativa para o manejo dos pastos (Tabela 1). Como era época seca foi utilizada irrigação por meio do sistema convencional de aspersão com canhões hidráulicos. O pasto foi dividido em oito piquetes de 625m2, totalizando 0,5 ha, e foi feito o pastejo em faixas, ou seja, as cercas internas eram móveis, sendo mudadas de local sempre que os animais mudavam de piquete. O pasto a cada saída dos animais de piquete. Foi utilizada a quantidade de 64,2 kg de uréia e 18,7 kg/ha ano de Cloreto de Potássio durante o período experimental.

Tabela 1 – Informações referentes ao manejo do pasto de
capim-tanzânia utilizado na terminação de cabritos.

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No pasto foram distribuídos cochos de sal mineral e água para os animais experimentais. Foram utilizados 30 cabritos ½ Bôer: SRD, recém-desmamados, pesando em média 17 kg, com quatro meses de idade. Todos os animais foram vermifugados antes de entrar no pasto e tiveram o controle de verminoses realizado através do método de contagem de OPG (ovos por grama de fezes). Por esse método, a vermifugação é realizada em todos os animais, quando o exame de 10 % do rebanho, apresentar 800 OPG.

Foi fornecida uma suplementação energética composta por milho triturado. O milho triturado oferecido possuía 9% de proteína bruta (PB), 17 % de fibra em detergente neutro (FDN) e 9% de FDA. Estima-se que os animais receberam, em média, uma dieta com aproximadamente 16% de proteína bruta e 80% de NDT.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado. Os tratamentos consistiam em cinco níveis de suplementação (0 %, 0,5 %; 1,0 %; 1,5 % e 2,0% do peso vivo), com seis repetições por tratamento.

Avaliou-se por meio de pesagens a cada 14 dias, o ganho de peso. O consumo era medido diariamente, quando os animais recebiam a suplementação. A suplementação era fornecida uma vez ao dia, no horário de 13 h às 16 h, horário em que os animais não estavam pastejando. Os dados foram submetidos à análise de variância. Os
parâmetros significativos pelo teste F, foram submetidos à análise de regressão.


Para avaliar o impacto da suplementação sobre a receita bruta, foram utilizadas equações de regressões, estimandose o nível de suplementação ótimo e comparando com o tratamento sem suplementação, para analisar o retorno econômico dessa tecnologia.

Tabela 2 – Consumo e ganho de peso de cordeiros suplementados com diferentes níveis de suplementação em pasto de capim-tanzânia.

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Resultados e Discussão


Nesse experimento, foram utilizados animais ½ Bôer:1/2 SRD. Na literatura (Sousa, 1998), a média de peso dos machos Bôer puros tem ficado em torno de 25kg aos 100 dias. Neste trabalho, utilizando animais mestiços, foramobtidos pesos finais próximos a 24 kg, mostrando também o potencial da raça em animais F1 Boer:SRD.

No entanto, para que o animal manifeste seu potencial genético, é necessário que o ambiente seja propício para tal. Nesse experimento, os animais mantidos em pasto cultivado (teor de PB 12%, conforme Tabela 1), dispunham de forragem em quantidade suficiente para atendersuas demandas nutricionais de mantença e algum ganho. Essa afirmação pode ser comprovada pela observação do desempenho dos animais que não receberam suplementação (Tabela 2). Esses animais ganharam em média 51 g/dia, o que é bastante expressivo, principalmente na Região Nordeste, onde normalmente os animais perdem peso ao final da estação seca.


A suplementação a energética é uma ferramenta que pode ser utilizada para dar melhor acabamento a animais em terminação (Paulino, 2001), aumentando o ganho de peso diário e reduzindo o tempo de terminação. Nesse experimento, observou-se efeito quadrático (p<0,05) desse tipo de suplementação sobre o peso vivo (Tabela 2). Pela equação de regressão, o máximo peso seria obtido se os animais consumissem 1,45% do peso vivo em suplemento. Nesse nível, o ganho médio diário, que também apresentou comportamento quadrático (p<0,05), ficaria em torno de 83g/cab dia. Esse desempenho se comparado a de ovinos nas mesmas condições (Silva et al., 2004), é baixo. O que mostra, mesmo havendo a introdução de uma raça especializada para corte, que esses animais ainda precisam ser melhorados geneticamente para obter um desempenho melhor. A maioria dos ensaios com desempenho de caprinos é feita em confinamento e nesses trabalhos há relatos de desempenhos superiores a 150g/dia (Sheridam et al., 2003) Entre os aspectos que determina essa superioridade,além da composição da dieta, as exigências de mantença de animais em pastejo são maiores que as exigências nutricionais de animais mantidos em confinamento.

A principal implicação do baixo desempenho obtido neste trabalho, mesmo com uso de suplementação, é de ordem econômica. Nesse experimento, mesmo o ganho de peso e o peso vivo apresentando um comportamento quadrático, o consumo se manteve linear (Tabela 2). Isso significa que, consumindo quantidades cada vez maiores de concentrado, os custos tendem a aumentar sem que haja retorno em termos de desempenho animal. Os dados obtidos com análise da receita bruta da suplementação encontram-se na Tabela 3. É possível observar que ambos os tratamentos se equivaleram, ou seja, nessas condições
não seria economicamente vantajosa a suplementação. Pois, ao incluir como custo o salário de um manejador e mais encargos sociais, o custo da suplementação aumentaria em R$ 1.080,00, além dos custos com o suplemento em si, tornando mais viável fazer terminação de cabritos somente com pasto.

É importante destacar que, se o preço do suplemento for menor, ou se houver uma valorização no preço da carne, em função de propriedades funcionais (Leite, 2004), por exemplo, pode ser que o uso da suplementação seja de fato uma vantagem para sistemas de terminação de cabritos em pastagens cultivadas.

Tabela 3 – Simulação do impacto da suplementação sobre a receita bruta final de um lote de cabritos terminados em um
hectare de pasto cultivado.

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Conclusões
O uso da suplementação energética nas condições desse experimento, apesar de apresentar resposta biológica positiva com aumentos de ganho de peso, não foi viável economicamente. Em outras condições, onde o preço do suplemento seja mais baixo e/ou o preço do peso vivo seja maior, talvez essa alternativa possa ser economicamente viável.

Fonte: Comunicado Técnico On line 73 – EMBRAPA

Autores: Ana Clara Rodrigues Cavalcante, Marco Aurélio Delmondes Bomfim, Enéas Reis Leite

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

COLOSTRO DIMINUI MORTALIDADE DE CABRITOS E BORREGOS

 

COLOSTRO DIMINUI MORTALIDADE DE CABRITOS E BORREGOS

O colostro é a secreção que se acumula na glândula mamária nas últimas semanas de prenhez. De cor branco-ama­relada, rico em proteínas, imunoglobulinas ou anticorpos, minerais e vitami­nas, possui efeitos nutritivo, antitóxico e laxativo. Apresenta gordura que é bem absorvida pelas crias, sendo importante fonte de energia atuando na regulação da temperatura corporal e na adaptação às condições ambientais.


Depois de terem sido formados em um ambiente estéril como o útero, capri­nos e ovinos recém-nascidos deparam-se com fatores adversos do ambiente e microrganismos causadores de doenças. Desta forma, além dos cuidados com o manejo sanitário, como o corte e a cura do umbigo, bem como a proteção das crias em local seco e higiênico, os recém-nascidos necessitam ingerir o colostro logo após o nascimento para o seu desenvolvimento saudável.


Ao nascimento, caprinos e ovinos não têm anticorpos circulantes no sangue, consequentemente, a aquisição da imunidade depende da disponibilidade do colostro, da quantidade de anticorpos presentes e da absorção intestinal. A ingestão do produto proporciona uma proteção imunológica passiva por transferência de anticorpos e vitaminas da mãe à cria nas primeiras semanas de vida, com o objetivo de favorecer uma de­fesa adequada contra as enfermidades. O amadurecimento dos órgãos da cria, responsáveis pela produção das células de defesa do organismo e anticorpos, leva pelo menos quatro meses para ocorrer. Este é o tempo em que os animais permanecem em contato com microrganismos do ambiente.


Uma pesquisa realizada em proprie­dades que adotavam sistema de criação intensiva, que apresentava perdas de crias de caprinos e ovinos, revelou aumento na taxa de mortalidade entre os animais que não mamaram o colostro. Animais que não têm acesso ao colostro vêm a óbito dentro de poucos dias após o nascimento por razões de infecções, energia não disponível adequa­damente e falta de termorregulação, levando à diminuição da temperatura corporal (hipotermia). Há uma correlação negativa entre a quantidade de imunoglobulinas (colostro ingerido) e a mortali­dade em neonatos, e uma correlação positiva entre o conteúdo de imunoglobulinas no sangue de cabritos com 48 horas de vida e seus ganhos de peso ao desmame.


De maneira geral, é necessário que o recém-nascido faça ingestão do colos­tro para obter proteção contra enfermidades, atuando na melhoria do ganho de peso e no desenvolvimento do metabolismo. Cordeiros privados de colostro são neutropênicos, ou seja, apresentam baixo número de células neutrófilas no sangue. Os poucos neutrófilos existentes no organismo são, em termos relativos, ineficientes para realizar o processo de destruição dos microrganismos denominados fagocitose. Com a ingestão contínua dos anticorpos e sua absorção protege-se contra as enfermidades em geral, especialmente as entéricas. De­ve-se, entretanto, também levar em consideração outras medidas específicas, como a limpeza e higiene das instalações e o manejo adequado das crias.


Há três grandes causas pelas quais a transferência adequada de colostro pode fracassar. Primeiro, o produto pode ser insuficiente ou de má qualidade. Se­gundo, pode haver colostro em quantidade suficiente, mas a ingestão pelo ­re­cém-nascido é inadequada. Por fim, a ter­ceira razão de fracasso é a falta de absorção pelo intestino, apesar da ingestão ser adequada e o colostro ser um alimento de boa qualidade.


As principais causas observadas na mortalidade em cordeiros, desde o primeiro dia até o sexto mês de vida, são: infecções respiratórias; desordens digestivas, como diarréia; inflamação de umbi­go e da articulação e diminuição da tem­peratura corporal. Assegurar a ingestão do colostro e sua absorção pela cria é fundamental para a diminuição da mortalidade em um sistema de ­produção de caprinos e ovinos.


Atualmente, a única contra-indicação para o consumo de colostro natural, e que também está relacionado com o consumo de leite, diz respeito à transmissão de doenças infectocontagiosas às crias. Entre elas, podem ser citadas a Artrite-Encefalite Caprina a Vírus, a Mi­coplasmose, a Clamidiose, a Toxoplasmose, entre outras.


Considerar a importância da administração do colostro para as crias de caprinos e ovinos, nas primeiras horas de vida, torna-se essencial para a sobrevivência dos recém-nascidos. Esta fonte de alimento é de suma importância na prevenção contra os fatores adversos do ambiente, assim como, contra os microrganismos nele existentes.


Francisco Selmo Fernandes Alves e Raymundo Rizaldo Pinheiro são pesquisadores da Embrapa Caprinos e Ovinos.

10/02/2009 - Revista O Berro nº 119 - Francisco Selmo Fernandes Alves e Raymundo Rizaldo Pinheiro

domingo, 21 de novembro de 2010

CRIAÇÃO DE CABRAS: TÉCNICA DE MANEJO, SANIDADE E ALIMENTAÇÃO – Parte 3

Maria das Graças C. M. e Silva
Professora do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras- UFLA

Alimentação
Ao iniciar uma criação de cabras, o produtor deverá fazer um planejamento de sua propriedade, levando em consideração alguns aspectos. Entre eles, a área disponível para formação de forrageiras, se essa área se adapta ao plantio, se existe água para irrigação, qual a produção por hectare de massa verde dessa forrageira, época de colheita, digestibilidade e nutrientes que compõe a forrageira. E ainda o número de animal que está criando por categoria animal, descartes e nascimentos do ano.


Sabe-se que 50 a 60% dos custos de produção de um criatório se deve ao fornecimento do concentrado, portanto, necessita de capineiras para diminuir o custo. Para a alimentação dos caprinos deve-se dar, de preferência, as variedades de plantas mais adaptáveis à região, desde que sejam bem aceitas pelos animais e tenham bom valor nutritivo.


Os caprinos dão preferência às leguminosas do que às gramíneas. É preferível fornecer forragens antes da floração, por possuir maior quantidade de nutrientes para a mantença e produção dos animais.

Alimentos para cabras:
Leguminosas: guandu, algaroba, soja perene, mucuna preta, alfafa, amendoim forrageiro, feijão de porco, etc.
Gramíneas: capim pangola, jaraguá, colonião, gordura, pangolão,setária, cameron, estrela africana, napier e outros.
Hortículas: folhas de nabo, beterraba e cenoura.
Raízes e Tubérculos: mandioca, batata doce, beterraba.
Raízes e Tubérculos: mandioca, batata doce, beterraba.
Cereais: milho, sorgo, trigo, etc.
Outras folhas: erva cidreira, anis, bananeira, pitangueira, goiabeira, confrei, etc.


A cabra consome diariamente o equivalente a 10% do seu peso vivo em forragem verde, silagens e fenos. 3% do peso vivo em ração concentrada, 1 kg/animal para fêmea com produção de até 2 l/leite/dia.

Pasto verde deve ser oferecido aos animais picado de 4 a 5 cm, pois o pasto muito picado, vai reduzir o teor de gordura do leite e se for grande vai ter disperdício do alimento.

Diariamente, no início das atividades, deve-se limpar os cochos, retirando-se os alimentos que sobraram do dia anterior, a fim de se evitar sua fermentação e provocar diarréias no animal.


Fenos e silagens também são fornecidos aos animais. A mistura mineral deve estar sempre à disposição. Sua falta compromete o crescimento do animal, desempenho produtivo e a reprodução. A cabra adulta bebe aproximadamente 5 l/água/dia. Se o alimento for muito seco (excesso de concentrado ou feno), a quantidade de água ingerida pode chegar a 10 l/dia/animal. Cabra com produção de 2 l/leite/dia, deve receber de 200 a 300 g de concentrado a mais, para cada litro de leite produzido.

Ordenha
Para cabras leiteiras são recomendadas duas ordenhas diárias, sempre no mesmo horário, para que os animais se condicionem no ato de liberação do leite.

O local de ordenha deve ser limpo, com facilidade de água de boa qualidade, tranquilo e sem barulhos. A ordenha pode ser manual ou mecânica, no entanto, os cuidados de higiene devem ser os mesmos.

Cuidados antes da ordenha: O ordenhador deve lavar bem as mãos; o lavagem do úbere em água corrente; o secagem do úbere com papel toalha. Análise do primeiro jato de leite em caneca telada ou de fundo escuro para diagnóstico de mastites clínicas.


Linha de ordenha
1ª ordenha: fêmeas jovens que nunca sofreram mastites
2ª ordenha : fêmeas adultas que nunca sofreram mastite
3ª ordenha : fêmeas que já sofreram mastite e estão curadas
4ª ordenha : fêmeas doentes, iniciando pelos casos menos graves

Apósa ordenha, mergulhar os tetos em solução glicerina iodada.

Medidas profiláticas gerais: Limpeza diária do cabril e higienização dos utensílios; retirada mensal do esterco acumulado sob o cabril; isolamento dos animais doentes; desinfecção periódica do cabril.
Pasteurização: Quando lenta, o leite passa no pasteurizador à 65ºC durante 30 minutos, depois é resfriado a 5ºC e levado ao freezer para ser congelado e conservado.

Sanidade
O primeiro aspecto de importância da saúde do rebanho diz respeito às zoonoses, ou seja, as doenças comuns ao homem e ao animal e que se transmitem naturalmente entre eles. O segundo aspecto é o da produção, pois é necessário saúde para que o animal expresse o seu potencial genético e responda aos cuidados zootécnicos. Neste caso, tem especial importância, nas cabras, as doenças parasitárias.

Ectoparasitos: Acarretam perdas econômicas na exploração, devido a mortalidade em decorrência de altas infestações. Os ectoparasitos irritam os animais, levando à queda da produtividade e tornando-os predisponíveis a infecções secundárias. Além disso, os efeitos causados sobre suas peles, depreciam o seu valor comercial. Para evitar que os animais do rebanho sejam atacados por ectoparasitos (carrapatos, berne, sarna, bicheira, etc.) devem ser tomadas medidas que auxiliem no controle e erradicação.


1. Fazer frequentemente inspeção dos animais.
2. Fazer controle das moscas nas instalações através do uso de adequada higienização, e se necesssário, usar repelentes, lavar e desinfetar vasilhames de ordenha, e plataforma de ordenha diariamente.
3. Na prevenção de miíases (bicheiras) tratar adequadamente as feridas, retirando as larvas, limpando o local e aplicando repelentes.
4. Pode-se fazer uso de pulverização ou banhos de Ectoparasiticida. A pulverização requer cuidados para que o tratador não se intoxique, e ela deve ser realizada em dias ensolarados.


Endoparasitos: Constitui as doenças provocadas pelo Helmintos e Protozoários. As doenças pelos helmintos, são também conhecidas como verminose e pode ser classificada em vermes gastrointestinais e pulmonares. Esses parasitos ocasionam lesões na mucosa do intestino e pulmões.

Na prática o que se observa é um atraso no crescimento, diarréia, pêlos arrepiados, perda de peso, aumento do volume abdomen, prostração e, às vezes, até a morte. Os vermes pulmonares são responsáveis por tosse e pneumonia. As doenças provocadas pelos protozoários que mais afetam os caprinos são a Eimeriose e Toxoplasmose.

A Eimeriose afeta principalmente os animais jovens, ocasionando diarréia, falta de apetite, anemia e retarda o desenvolvimento. A Toxoplasmose pode atacar o animal e ao homem, provocando esterilidade, abortos, nascimento de crias fracas. A transmissão se realiza de duas formas: por ingestão de carne ou leite de animais contaminados. Existem ainda as doenças provocadas por bactérias, que afetam os caprinos podendo até mesmo resultar em morte.


A Linfadenite Caseosa caracteriza por necrose principalmente dos gânglios linfáticos, e é conhecida como "Mal do Caroço". A doença é de grande importância devido os prejuízos que ocasiona. A infeção ocorre através da pele, umbigo, feridas de castração, com o agente causador da doença. A prevenção pode ser feita através de vacinas. Os animais afetados devem ser isolados, quando próximo do período de abertura do abcesso, sendo o material colhido e posteriormente queimado.

A Leptospirose em caprinos é causadora de abortos e mortalidade de animais jovens. A presença de ratos nos capris, ou junto dos alimentos e água utilizados pelos animais, representa uma chance maior de contaminação, pois os ratos podem infectar a água e rações através da urina e contaminar assim os animais.


A Micoplasmose é uma doença que se transmite por contato direto de animais doentes com sadios e pelo leite ingerido pelo cabrito. Até mesmo através da mão do ordenhador. Ela ocasiona morte aos animais jovens e diminui a vida produtiva de animais adultos. Animais acometidos dessa enfermidade devem ser eliminados dos capris.

Mamite é a inflamação na glândula mamária. Ela altera o tecido glandular e o leite. No manejo diário é necessário o controle da mamite. Para isto adota-se a linha de ordenha (já descrita anteriormente). É altamente contagiosa e transmitida de um animal para outro através das mãos dos ordenhadores, toalhas coletivas ou teteiras das ordenhadeiras mecânicas, quando a higiene não é observada. O diagnóstico pode ser feito através do teste de CMT (Califórnia Mastites Teste), pelo menos uma vez por mês, que permite detectar facilmente no leite a presença de leucócitos (glóbulos brancos de sangue) em número anormalmente elevado, o que indica um fenômeno inflamatório ao nível de mama.


Artrite Encefalite Caprina (C.A.E): Traz sérios prejuízos ao criatório. O sintoma externo é o aumento das articulações dos joelhos. O meio de transmissão é o colostro.

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O Calendário Profilático poderá ser alterado de acordo com a região.

Limpar cochos e bebedouros diariamente. Raspar estrados e varrer solário diariamente. Fazer desinfecção mensalmente. Ao adquirir novos animais, exigir os exames de:
o Artrite Encefalite Caprina (CAE)
o Brucelose
o Tuberculose
o Toxoplasmose
o Exame Clínico


Não adquirir animais com mamite ou que tenham sido curados. É importante que, ao adquirir animais para o rebanho, seja de um criador tradicional e idôneo. Com isto elimina-se os comerciantes inescrupulosos. A avaliação dos animais deve ser feita por um técnico especializado.

Um aparelho portátil para diagnosticar a prenhez em ovelhas e cabras é uma das novidades que a Embrapa, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acaba de colocar à disposição dos produtores rurais. O equipamento utiliza o ultra-som, é eletrônico (funciona com seis pilhas comuns) e semelhante ao Detector de prenhez para bovinos e equinos, também desenvolvido pela Embrapa, que já vendeu cerca de três mil unidades em todo o Brasil.


O Detector de prenhez para pequenos ruminantes por ultra-som foi desenvolvido em São Carlos, interior de São Paulo, pela Embrapa Instrumentação Agropecuária, atendendo demanda da Associação Paulista dos Criadores de Caprinos (Capripaulo). Ele foi feito em parceria com a Embrapa Caprinos - de Sobral (Ceará) - onde foram realizados os testes em ovelhas da raça Santa Inês. Em São Paulo, outros testes conseguiram detectar a prenhez positiva em cabras, 23 dias após a cobertura.


O diagnóstico de prenhez em pequenos animais tem grande importância econômica e prática, ao possibilitar uma nova cobertura ou inseminação na mesma estação reprodutiva para as fêmeas que não responderam positivamente à primeira fertilização. Além disso, permite o fornecimento de uma alimentação adequada às fêmeas prenhes.

A Embrapa repassou a tecnologia para a empresa Microem Produtos Eletrônicos Ltda., de Ribeirão Preto (SP), que já produz o Detector de prenhez para bovinos e equinos por ultra-som e o Medidor de espessura de toucinho por ultra-som para para suínos vivos. suínos vivos.

sábado, 20 de novembro de 2010

CRIAÇÃO DE CABRAS: TÉCNICA DE MANEJO, SANIDADE E ALIMENTAÇÃO – Parte 2

Maria das Graças C. M. e Silva
Professora do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras- UFLA

Formação e reprodução do rebanho

O criador que vai criar caprinos e, portanto, já tem a finalidade da exploração definida e instalações concluídas, passa a se preocupar com a formação do rebanho. Para isso é necessário que, ao adquirir os animais, o criador procure por criações já existentes e que sejam idôneas, e estar certo de ter feito uma boa compra. É de suma importância a escolha de reprodutores e matrizes. As fêmeas podem ser puras ou até SRD (Sem Raça Definida), mas os machos sempre devem ser puros. Para formar o rebanho o criador deverá observar e perseguir os seguintes índices zootécnicos.

Adquirir fêmeas que tenham uma prolificidade de 3 cabritos por ano, admitindo-se que 80% das fêmeas reprodutoras possam parir duas vezes por ano. Nascimento para ambos os sexos de 50%.:

  • Ter um (1) reprodutor macho para 40 fêmeas (matrizes), em monta livre.
  • A gestação ter uma duração média de 150 dias (5 meses).
  • A vida reprodutiva dos machos deverá ser de 8 anos.
  • A vida reprodutiva das fêmeas será ser de 6 anos. o As fêmeas deverão ser cobertas em médias aos 10 a 12 meses de idade.
  • O descarte dos cabritos será aos 5 meses, com peso vivo estimado em 18 kg.
  • A lotação por hectare será de 8 cabras com 2 cabritos cada.
  • Lactação de 210 a 240 dias no Brasil são consideradas boas, somentes através da seleção e do melhoramento genético o produtor poderá aumentar a produção dos animais.


Em geral as cabras mostram cio já aos 5 ou aos 7 meses, portanto, recomenda-se separar os animais de sexos diferentes a partir do 3º ou 4º mês de vida. No cabrito, a cópula com ejaculação de espermatozóides vivos inicia com 4 e 6 meses de idade.

Sob boas condições, porém, a reprodução das fêmeas nesta idade deve ser evitada, pois os caprinos com esta idade não estão completamente desenvolvidos para suportarem uma boa gestação com partos normais.

Em geral, o peso de cobertura para fêmeas é de 30 kg ou deverá ser 70% do peso total quando o animal for adulto. Por exemplo: uma cabra leiteira adulta pesa em média 50 kg, então seu peso na primeira cobertura será de 35 kg (50 x 70% = 35 kg), ou de 10 a 12 meses de idade. Nos machos a idade ideal para reprodução é após 10 meses de idade em monta controlada.


Estação de monta: A duração do período de cio é de cerca de 35 horas com variação de 26 a 42 horas. Nas cabras a duração média do ciclo estral é de 20,6 dias, ou seja a cabra apresenta cio de 21 em 21 dias, aproximadamente, podendo ter uma variação normal de 18 a 22 dias. No entanto, raças mais apuradas apresentam uma inatividade reprodutiva nas regiões onde a luminosidade do dia é crescente (setembro a dezembro) cai a produção, retornando a atividade sexual, nos períodos de queda da luminosidade (janeiro a abril).

Sinais característicos do cio: genitais externos avermelhados, micções frequentes, montam umas nas outras e se deixam montar, abanam a cauda, olhar depressivo e grande inquietação. A fêmea no cio deve ser levada ao reprodutor, 2 vezes com intervalo de 10 a 14 horas entre uma monta e outra.


A ovulação ocorre poucas horas após o fim do período em que a fêmea aceita passivamente a cobertura. A taxa de ovulação aumenta em cabras até cerca de 4 a 5 anos de idade, dependendo da natureza precoce da raça e, então, diminui com o avançar da idade.

Critérios para escolha de macho e fêmeas reprodutores: É importante a escolha do reprodutor, seja macho ou fêmea, para o sucesso da criação.

  • Escolha do reprodutor: O animal representa 50% da genética do criatório. Obter informação confiável quanto a produção das filhas desse reprodutor (produção média). Os reprodutores são substituídos a cada dois anos para evitar consanguinidade. Rufião: é usado para facilitar a detecção do cio, ficando junto com as cabras adultas e fêmeas jovens aptas à reprodução, recebendo o mesmo manejo alimentar dessas categorias.
  • Escolha de matrizes e manejo da reprodução e crias:
    1) Adquirir matrizes iniciais para implantação do criatório.
    2) Substituição das fêmeas no rebanho (descarte de 20 a 25% das fêmeas anualmente).
    3) Selecionar as melhores fêmeas através de:
  • Maior produção de leite
  • Maior número de filhotes ao parto o Alta fertilidade o Resistência a doenças
  • Facilidade de manejo o Característica racial


Uma boa cabra leiteira deve ter um aspecto geral feminino com ossatura forte e pêlos finos, cabeça delicada, longa e fina, porém com narinas largas. O animal deve apresentar bons aprumos principalmente nos membros posteriores, costelas arqueadas com boa abertura de tórax e abdomen.


Essas são características diretamente relacionadas com a capacidade do animal de ingerir grande quantidade de volumoso, transformando-os em leite. Com relação ao sistema mamário, relacionar as fêmeas com melhor conformação do úbere.

Os animais devem ter pernas com bons aprumos, unhas largas, profundas e bem formadas, peito largo que aumenta a capacidade respiratória e circulatória o que reflete na maior produção de leite. Se o objetivo é ampliar o plantel: recomenda-se o descanso de 45 a 60 dias depois do parto, assim a cabra proporcionará 3 parições em 2 anos. No entanto, se o objetivo é leite, aconselha-se um intervalo maior. Em qualquer das opções, deve-se secar a cabra 60 dias antes do parto.

A duração do parto é de 1 a 4 horas. É importante que o animal no dia provável do parto, seja levado para local tranquilo, limpo e arejado. Não há necessidade de ajudar a fêmea durante o parto, só se houver algum problema com o filhote.

Cuidados com o recém-nascido

O filhote deverá ter maiores cuidados nos primeiros 30 dias de vida. Cortar o umbigo logo após o nascimento, 2 cm do ventre e ser emergido em tintura de iodo a 10%. O filhote deve beber colostro nas primeiras 3 horas após o nascimento. Atenção: Filhos de mães portadoras do vírus da Artrite Encefalite Caprina (CAE), não devem receber colostro da mãe.

Ficha de controle zootécnico
1. Identificação. Poderá ser feito através de brincos, medalhas, tatuagem. É importante também pesar o filhote após o nascimento.
2. Alojamento. Logo após o nascimento, separar o filho da mãe e colocá-lo em uma creche limpa, seca e arejado. Em locais de temperatura muito baixa, utilizar lâmpada de aquecimento.
3. Aleitamento. Utilizam-se mamadeiras individuais ou coletivas.

ESQUEMA DE ALEITAMENTO

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A partir do 6º dia de vida, o filhote já pode receber alimento sólido para ajudar no desenvolvimento. É permitido ingerir volumosos de boa qualidade como, por exemplo, feno de alfafa ou rami, ração concentrada com 24% de proteína bruta, sal mineral e água à vontade de boa qualidade. Recomendação: não fornecer aos filhotes, produtos à base de soja antes dos 30 dias de vida.


4. Desmame. Normalmente ocorre aos 90 dias de idade, quando o filhote estiver consumindo 300 g/concentrado/dia.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

CRIAÇÃO DE CABRAS: TÉCNICA DE MANEJO, SANIDADE E ALIMENTAÇÃO – Parte 1

Maria das Graças C. M. e Silva
Professora do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras- UFLA

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Desde os tempos coloniais, o Nordeste vem sendo o grande difusor da criação de cabras no Brasil. Entretanto, só a partir da década de 70 é que a atividade recebeu maior incentivo, estabelecendo assim opção econômica para os pequenos e médios proprietários das outras regiões, além da grande classe rural nordestina.

Nesta evolução, com animais de maior valor zootécnico, a caprinocultura tornou-se ao mesmo tempo uma atividade agradável, rentável e com alto valor social, contribuindo com leite e carne na alimentação familiar.

A exploração de caprinos deve abranger algumas técnicas de manejo, sanidade e alimentação e para isto contar com uma assistência técnica capacitada, para que o planejamento e a própria condução do programa sejam bem executados.

Objetivos e viabilidade econômica

É importante definir o tipo de exploração como: produção de leite, queijos finos, carne, pêlos (mohair), pele, venda de matrizes e reprodutores ou uma produção integrada. Os cabritos apresentam peso ideal de abate entre 4 a 6 meses de idade e o preço de matrizes e reprodutores variam de acordo com as faixas etárias e as raças (leite ou corte). Seja qual for a finalidade da exploração, a localização do criatório deve ser nas proximidades de um bom centro consumidor.

Fatores climáticos

O maior inimigo da cabra é a umidade. Quanto mais baixa for a umidade do ar, melhor será o ambiente para o criatório. O vento também causa transtornos para os caprinos.


Instalações

O cabril deve ser construído em terrenos mais altos, ensolarados, com baixa umidade e que tenham facilidade de abastecer volumosos (caso de confinamento) e água potável à vontade. Para se conseguir estes níveis de conforto, é importante construir o abrigo cuidando-se para que a orientação seja de Leste para Oeste (nascente - poente) e fechado ao Sul para evitar as correntes de ventos mais frios.

O galpão de abrigo é feito normalmente de madeira com piso ripado medindo 0,05 m de largura e elevado com divisões. O espaçamento no ripado é de 1,50 cm para adultos e 1,00 cm para cabritinhos entre sarafos, isto para evitar que enfiem as patas entre os espaços das ripas e se machuquem. O pé direito deve medir em torno de 2,50 m de altura acima do ripado e do ripado ao solo deve ser de aproximadamente 1,00 m, de modo a permitir o trânsito de pessoas por ocasião da retirada dos dejetos.

Desde os tempos coloniais, o Nordeste vem sendo o grande difusor da criação de cabras no Brasil. Entretanto, só a partir da década de 70 é que a atividade recebeu maior incentivo, estabelecendo assim opção econômica para os pequenos e médios proprietários das outras regiões, além da grande classe rural nordestina.

Nesta evolução, com animais de maior valor zootécnico, a caprinocultura tornou-se ao mesmo tempo uma atividade agradável, rentável e com alto valor social, contribuindo com leite e carne na alimentação familiar. A exploração de caprinos deve abranger algumas técnicas de manejo, sanidade e alimentação e para isto contar com uma assistência técnica capacitada, para que o planejamento e a própria condução do programa sejam bem executados. 

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Deve-se prever também a área externa para exercício e cobrição.Uma cabra adulta necessita cerca 2 m² de espaço físico. Os cochos devem ter 15 cm de largura, 30 cm de profundidade e 40 cm de altura do piso à borda do cocho. Devem ser colocados também cochos para sal mineral no cabril. Os bebedouros devem estar abastecidos constantemente com água fresca e limpa. As cercas externas podem ser de telas com 1,5m de altura.


Os piquetes devem ser construídos com cercas de 11 a 12 fios de arame liso. A área de pastagens e capineiras devem ser dimensionadas com base em um consumo diário médio de 10 kg de forragem/cabra adulta/dia. Um hectare de pastagem de boa qualidade é suficiente para  7 cabras leiteiras ou 10 cabras de corte ou de aptidão mista.

O cabril deve permitir a acomodação das seguintes categorias animais:
Berçário - do nascimento até 90 dias de idade
Recria - desmame à idade de reprodução
Novilhas e Cabras - no início de gestação
Cabras secas, em lactação e reprodutores, que deverão ficar separados ao máximo das fêmeas lactantes (no mínimo 8 metros de distância).

Sistema de criação
A cabra sendo um animal andarilho, necessita de exercícios diários e do sol. Assim sendo, nas regiões úmidas o único sistema viável de criação é o intensivo. Entretanto, pode-se fazer uma variação para o semiextensivo nos períodos de estiagem e declínio da umidade. Em criações onde não dispõe de áreas para o pastejo, é importante que seja incluída no projeto uma área para exercício dos animais (solário), durante no minimo 1 hora/dia. A dimensão de um solário depende muito do rodízio de animais no cabril ficando à base de 5 m²/cabeça. Assim sendo, as cabras leiteiras são confinadas em baias individuais ou coletivas suspensas.


O sistema de criação semi-extensiva ou extensiva é indicado para as médias e grandes propriedades, desde que disponham de boas áreas de pastoreio rotativo, com abrigos para o agrupamento e repouso dos animais à tardinha. O sistema ultra-extensivo é realizado no sertão, onde os animais vivem em completa liberdade, e, andam as vezes até 10 km por dia para procurar alimento. Este sistema de criação é típico para a produção de peles, já que é no sertão de clima seco uma condição que favorece o desenvolvimento de cabras com peles de boa textura, elasticidade e resistência.


Escolha da raça
Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, recomenda-se para a exploração leiteira qualquer uma das raças especializadas existentes no país, como Saanen, Toggenburg ou a Parda Alpina. Para a exploração mista ou de corte, as raças Anglo-Nubiana, Mambrina, Canindé, Moxotó, Marota, Repartida.

Raça Saanen: Originária da Suiça, apresenta pelagem curta, totalmente branca, sem qualquer mancha de outra cor. Os cascos brancos ou amarelados. A pele pode apresentar pintas escuras em diversos pontos como úbere, focinho, parte interna das orelhas, etc. São animais compridos, altos, esguios, orelhas curtas e eretas, sendo considerados os mais altos e de maior aptidão leiteira dentre as raças tipicamente leiteiras, contribuindo para formação e melhoramento de outras raças. Produzem 4 litros de leite diários com 5 a 6% de gordura. As fêmeas apresentam peso vivo médio de 50 kg e os machos de 75 kg.

Raça Toggenburg: Originária da Suiça, são também leiteiras, apresentando pelagem com pêlos longos, de cor castanho claro para o chocolate escuro, variando de tonalidades mais claras para tonalidades mais escuras com 2 listras brancas na cabeça que vão desde as orelhas, descem pelos olhos e vão até as laterais da boca. As patas e a inserção da cauda também são brancas. Tanto as cabras como os bodes reprodutores têm um peso médio variando de 45 a 60 kg.

Raça Parda Alpina: São animais leiteiros, originária da parte meridional dos Alpes Suiços. De porte médio como as Toggenburg, apresentam pelos curtos, pelagem de cor castanha parda com listra preta na região da nuca e linha dorso-lombar e pêlos pretos nas extremidades dos membros da face. Estes animais produzem 3 litros/leite/dia, numa lactação de 7 meses. O peso vivo médio das fêmeas varia de 50 a 60 kg e nos machos de 80 a 100 kg.


Raça La Mancha: Originária da Espanha, formada nos Estados Unidos é de aptidão leiteira. Possuem pelagem de muitas cores, sendo chamadas de multicoloridas. Têm boa produção de leite com alto teor de gordura.

Entre as raças de aptidão mista (carne, leite e pele) citamse as seguintes:


Anglo-Nubiana, formada na Inglaterra, são animais de porte alto, compridos e pesados. As cabras apresentam perfil convexo ou acarneirado, orelhas grandes e pendulares, são muito rústicas, tendo revelado excelentes resultados no Brasil. A pelagem é variável, indo da castanha, preta, branca, creme até amarela e cinza, ou suas combinações. Estes animais por serem de aptidão mista, apresentam rendimento médio leiteiro inferior as raças leiteiras especializadas e período mais curto de lactação. Porém, o seu leite apresenta mais alto teor de gordura.

A Raça Mambrina conhecida como cabra Síria, Indiana ou Zebu, apresenta pelagem cinzenta, vermelha, amarela, branca ou malhada, havendo animais pretos ou com manchas coloridas sobre fundo claro. As cabras são boas leiteiras e produtoras de carne e pele. Produz de 2 a 4 kg de leite/dia com 4% de gordura, com longo período de lactação. É rústica, própria para climas quentes.


A raça Canindé é nativa do Nordeste. É no Estado do Piauí que apresenta maior número destes animais, em duas formas étnicas denominadas "Canindé". Uma conhecida pela tradição sertaneja, de pelagem preta e barriga branca, e a outra de pelagem castanha, avermelhada, com uma listra preta no dorso e a barriga preta. De porte médio, atinge 50 a 60 cm de altura, e pesa em média 27 a 35 kg.


A raça Moxotó além de produzir carne, é também ótima produtora de pele. É conhecida pelos sertanejos como cabra do "lombo preto". A
pelagem é de cor baia ou mais clara, com uma listra negra que se estende do bordo superior do pescoço à base da causa, seguindo a linha
dorsal. Os membros abaixo dos joelhos e jarretes são de uma coloração escura, o mesmo ocorrendo com ventre, mucosa, unhas e úbere. A
altura tanto nos machos como nas fêmeas, varia entre 50 a 70 cm e o peso médio é de 34 kg.

A raça Marota é também conhecida como "Curaçá". A finalidade principal de exploração é a produção de pele, entretanto, como leiteira,
tem seu significado. Estes animais têm peso mínimo de 36 kg, a pelagem é branca, podendo aparecer pequenas pintas escuras nas orelhas. A pele e mucosa são claras e úbere apresenta um desenvolvimento razoável com tetas amarelo-claras.

A raça Repartida ou "Surrão", tem esses nomes devido à mistura de pêlos pretos e claros, distribuídos de forma irregular em seu corpo, dando a impressão de um animal sujo. O objetivo principal desta raça é a produção de pele. Estes animais têm pelagem preta na parte anterior
do corpo e baia na posterior. Seu peso mínimo é de 36 kg.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Deficiência e excesso de cobre na alimentação dos ruminantes: consequências

O manejo dos ruminantes requer uma atenção muito grande em inúmeros setores, sendo o principal deles a nutrição. A alimentação de um ruminante é algo muito complexo que necessita de grandes conhecimentos sobre as funções de cada ingrediente, sua composição e o teor de cada elemento. Um coadjuvante à alimentação propriamente dita é a mineralização, utilizada com o intuito de suprir as carências que ocorram naturalmente nos grão, gramíneas e leguminosas oferecidas aos animais. Um importante elemento contido no sal mineral é o cobre, responsável por inúmeras funções no organismo desses animais, o que faz com que a sua utilização seja feita de forma racional, pois a deficiência do mesmo acarretará muitos prejuízos ao animal, bem como o seu excesso, podendo causar toxicidade, ambos podendo levar ao óbito. A adequação dos níveis de cobre deve ser feita com a pesquisa de alimentos que não possuam essa deficiência, e, ao mesmo tempo, lançar mão de sais minerais específicos para cada espécie, não sendo aconselhado o contrário.

O cobre é um elemento tanto essencial quanto tóxico ao organismo animal. A toxicidade é variável entre os ruminantes, sendo o ovino a mais sensível das espécies.

Os ovinos intoxicados por cobre podem apresentar dois quadros clínicos distintos. O primeiro caracteriza-se pela intoxicação aguda, na qual o animal apresenta uma severa gastroenterite logo após uma alta ingestão de cobre. O segundo, denominado de intoxicação crônica, é o mais comum e caracteriza-se pelo acúmulo de cobre principalmente no fígado, sem manifestações de sinais clínicos.

O acúmulo de cobre pode ocorrer em três circunstâncias: na intoxicação primária causada pela ingestão de quantidades excessivas de Cu. Na intoxicação secundária fitógena, na qual, apesar do Cu ser ingerido em quantidades normais, se produz o acúmulo do microelemento em conseqüência dos baixos níveis de molibdênio; na intoxicação secundária hepatógena, na qual o Cu, ingerido em níveis normais, se acumula no fígado em conseqüência de lesões hepáticas causadas por plantas que contém alcalóides.

A intoxicação por cobre pode ser dividida em três fases distintas: a pré-hemolítica, a hemolítica e a pós-hemolítica. Durante a fase pré-hemolítica, ocorre o acúmulo de cobre no fígado, sem aparecimento de sinais clínicos. O cobre se acumula inicialmente nos hepatócitos perivenosos e posteriormente em outras áreas do fígado. Durante o acúmulo, os hepatócitos aumentam consideravelmente seu número de lisossomos, organela na qual também se acumula o cobre. Atingindo o limiar máximo de acúmulo, ocorre morte celular difusa, promovendo a liberação expressiva de cobre e de lisozimas. O cobre livre desloca-se para a corrente circulatória, onde após entrar nas hemácias oxida a glutationa, substância responsável pela integridade destas células, culminando com a hemólise, cerca de 24 horas após. A morte pode advir das graves lesões hepáticas e renais e do grau de anemia, raramente os animais sobrevivem ao quadro clínico característico de uma crise hemolítica. Aqueles que conseguem sobreviver se recuperam lentamente, no decorrer de duas a três semanas, durante a fase pós-hemolítica.

O cobre é um micromineral essencial, mas também pode ser tóxico. Sob condições práticas, ruminantes em pastejo têm maior probabilidade de sofrerem deficiência de Cu do que excesso, porém, erros nos alimentos oferecidos pode conter uma quantidade excessiva ao animal, causando toxicidade.

O cobre é exigido para a respiração celular, formação de ossos, funcionamento cardíaco, formação do tecido conectivo (sem o Cu ocorre uma falha na maturação e ligação do colágeno com a elastina) e da mielina da medula espinhal, pigmentação de tecidos e queratinização de pêlos e lã (acromotriquia: falta de pigmentação, é a principal manifestação de deficiência e pode ser notada em pêlos e lã). Componente de várias enzimas (junto com o Fe é necessário para a síntese da hemoglobina), o Cobre é importante para a integridade do Sistema Nervoso Central (SNC), em função da atuação de enzimas que atuam na formação da mielina. Além disso está relacionado a outros dois neurotransmissores (dopamina e norepinefrina). Outras funções seriam na atividade reprodutiva, sistema imune e no metabolismo de lipídios.

O cobre exerce importantes funções no sistema nervoso central, no metabolismo ósseo, no funcionamento de vários sistemas enzimáticos, além de ser essencial para a síntese de hemoglobina. Enorme variedade de problemas e distúrbios nos animais tem sido associada a dietas deficientes em cobre. Anemia, crescimento retardado, ossos fracos, insuficiência cardíaca, diarréia e despigmentação dos pêlos e lã são alguns sintomas clínicos apresentados por animais que recebem dietas deficientes em cobre. Durante o crescimento, os bovinos apresentam maiores exigências de cobre do que os ovinos e os animais não-ruminantes. O fígado dispõe de uma reserva mobilizável de cobre. Como o leite é pobre em cobre, os bezerros em aleitamento dependem exclusivamente das reservas hepáticas obtidas por transferência da mãe, no útero. Se as vacas forem deficientes em cobre, terão bezerros com baixas reservas, o que resultará em bezerros prematuramente deficientes.

Muitas vezes, a intoxicação por cobre pode ser resultante do uso desse mineral como promotor de crescimento, principalmente para aves e suínos. O sulfato de cobre é utilizado como estimulante de crescimento, em substituição aos antibióticos, sendo excretados nas fezes. A cama de aves e o esterco de suínos, utilizados como alimento ou como adubo de pastagens, podem intoxicar os animais que deles se alimentam.

Autor: Robson Moura de Lima